Um animal magro pode apresentar ou desenvolver Síndrome Metabólica Equina (SME)?

Conforme já comentado a Síndrome Metabólica Equina (SME) é uma condição complexa e multifatorial que geralmente está associada a obesidade regional ou generalizada, resistência à insulina e a um risco aumentado de laminite. Por essa razão, é comum associar a síndrome a cavalos com excesso de peso. No entanto, um animal magro também pode apresentar ou desenvolver SME, embora isso seja menos comum e exija uma avaliação mais criteriosa.

Um dos principais critérios de diagnóstico da SME é a resistência à insulina e não está exclusivamente ligada à obesidade. Animais magros podem ter alterações na sinalização da insulina por diversos motivos, como predisposição genética, inflamações crônicas, dietas inadequadas (mesmo em baixa quantidade), sedentarismo ou disfunções hormonais. Ademais, alguns cavalos considerados “magros” em termos gerais podem apresentar acúmulo de gordura em regiões específicas, como na crista do pescoço (neck crest), base da cauda ou na região pré-escapular. Esse tipo de obesidade regional pode indicar disfunções metabólicas, mesmo na ausência de sobrepeso aparente.

Considerando alguns componentes hormonais e genéticos, certas raças (como Pôneis, Morgans, Pasos, Andaluzes, Mustangs) são geneticamente predispostas à resistência à insulina e SME, independentemente da sua condição corporal. Em tais animais, mesmo uma alimentação moderada pode desencadear desequilíbrios metabólicos. Cavalos magros que apresentam episódios repetidos de laminite, especialmente sem causas óbvias como sobrecarga de grãos ou excesso de peso, também podem ser investigados para possível disfunção metabólica subjacente, incluindo SME.

Um outro fator predisponente para o aparecimento de SME em cavalos magros está associado em submete-los a dietas hipocalóricas por longos períodos. Dessa forma, cavalos submetidos por longos períodos a dietas muito restritivas podem perder peso, mas manter desequilíbrios endócrino-metabólicos, especialmente se a dieta não for balanceada em nutrientes essenciais ou se a perda de peso tiver ocorrido de forma muito rápida.

O diagnóstico de SME em animais magros requer atenção especial, mas se baseia em 3 pontos básicos. Primeiramente deve ser confirmada ou não através de exames laboratoriais (glicemia basal, insulina basal, teste de tolerância à glicose) a resistência a insulina. É importante avaliar o histórico clínico ou alterações no casco compatíveis com laminite subclínica e por fim, mas não menos importante, avaliar as alterações corporais regionais bem como os acúmulos de gordura localizada, mesmo que o escore corporal geral esteja abaixo de 5 (na escala de 1 a 9).

Dessa forma, embora a obesidade seja um fator de risco bem estabelecido para a Síndrome Metabólica Equina, a presença de SME em cavalos magros é possível e deve ser considerada diante de sinais clínicos compatíveis, especialmente quando há resistência à insulina ou histórico de laminite. O diagnóstico depende de uma abordagem integrada, que considera tanto o fenótipo do animal quanto dados laboratoriais. Por isso, todo cavalo, independentemente do seu escore corporal, que apresente sinais suspeitos deve ser avaliado metabolicamente.


Dr. Allan R. F. Muche
Médico Veterinário – CRMV-SP 21.770
CEO da Univittá Saúde Animal

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